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domingo, 14 de fevereiro de 2016

A questão dos refugiados - II



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Então... O tempo passou, vieram os compromissos de fim de ano e as férias (bastante corridas, desta vez...) e a segunda parte do post sobre a questão dos refugiados acabou caducando. Aliás, em parte, pois, neste tempo todo, o assunto infelizmente permaneceu atual, pois o mercado de refugiados continua funcionando a mil, gerando lucros na mesma proporção e fazendo vítimas idem. As causas também continuam as mesmas, infelizmente. E, o que é pior, mesmo com bastante otimismo, não dá para vislumbrar perspectiva de melhora na situação, nem a curto nem a médio prazo. A questão é complicada, por envolver religião, fanatismo, dinheiro, poder, etc.
Embora o post de continuação tenha se perdido no tempo, certamente voltaremos a este assunto, algumas vezes ainda...

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

A questão dos refugiados - I


              O assunto domina os noticiários. Com razão; deve ser abordado, pois é urgente e envolve (ausência de) direitos humanos. As recentes tragédias envolvendo refugiados/ imigrantes na Europa tem causas diversas e consequências preocupantes.

            Entre as razões estão fome e condições precárias de sobrevivência, em alguns casos; no mais, as fugas são de conflitos internos, perseguições e guerras civis. Aí vem o cerne do problema: sabendo-se que parte significativa destes refugiados provém de países como Síria, Afeganistão, Iraque e Líbia, é impossível não lembrar que todos eles apresentam graves crises políticas decorrentes do vácuo de poder deixado pela derrubada ou, no caso da Síria, enfraquecimento político de seus líderes. Aí vem o paradoxo: estes eram ditadores que mantiveram com mão de ferro o controle sobre seus países. Com seu enfraquecimento ou derrubada, o Estado Islâmico tem encontrado amplo espaço para se expandir.
            A ironia é que a população, amedrontada, tem fugido para países europeus pela proximidade, sem dúvida, mas tais países foram exatamente aqueles que contribuíram para a derrubada de tais ditadores, através da OTAN e da liderança dos EUA. Tudo no melhor estilo "vocês criaram o problema, agora se virem."
            De tudo, várias são as questões a ser levantadas: tais países, de onde saem os refugiados, eram melhores enquanto ditaduras? Será possível ainda sonhar com democracia neles? E que estas fugas cessem? Com o avanço do EI e, principalmente, com o lucro gerado pelo 'comércio da fuga', estimado em torno de US$ 7 bilhões anuais, é difícil imaginar... Finalmente, será possível conjecturar o ponto que atingirá a xenofobia na Europa? Questões de difícil resposta, mas urgentes.

Em tempo: apostaria em algo ligado a esta questão como tema da redação do ENEM deste ano; não custa ficar ligado!

sábado, 14 de abril de 2012

100 anos esta noite


Dia 14 de abril, como hoje, mas há cem anos atrás. Neste dia, às 23:40 o absurdamente colossal (ainda mais para a época) Titanic batia em um iceberg e começava a contrariar sua alcunha de "o inafundável". Fruto perfeito de sua época: prosperidade, riqueza, poder, glória e decadência.

Como assim? Vejamos o contexto de sua época.

No início do século XX, época da construção do navio, vivia-se um período de grande euforia e contentamento, causados pela confiança inabalável no progresso humano. Basta vermos algumas das invenções da época: automóveis, aviões, telefone, iluminação elétrica, cinema, elevadores elétricos, estetoscópio, penicilina, anestesia, aspirina, vaso sanitário com descarga, papel higiênico, creme dental, geladeira, fogão a gás, sorvete, cerveja engarrafada, etc, entre tantas e tantas outras invenções. Coisas sem dúvidas banais neste início de século XXI, mas o supra-sumo da modernidade há cem anos atrás. Estão explicadas a prosperidade e a glória.

Quanto à riqueza e ao poder, é bom lembrarmos que eram tempos de corrida imperialista, com as várias potências europeias disputando entre si principalmente o continente africano, como meio de acesso fácil e barato às matérias-primas necessárias a tamanho desenvolvimento indutrial e a mercados consumidores para sua produção em massa. Riqueza e poder, portanto, dos países europeus industrializados, bem entendido, e não da África. Ah, e também dos EUA e do Japão!

Isto já nos conduz à citada decadência: tal disputa entre potências industrializadas está sem dúvida por trás da gênese da Primeira Guerra Mundial, junto com os nacionalismos que se acirravam na Europa.

O Titanic, portanto, se enquadra perfeitamente em sua época, com todas as suas características e peculiaridades.

Como vem se falando muito nele por estes dias (mais ainda neste sábado e domingo), indico aqui alguns materiais interessantes, com dados do megatransatlântico:

Discovery (materiais riquíssimos, vale muito a pena explorar cada link)

Titanic Site (dados técnicos)

domingo, 18 de março de 2012

Mumificação

Muito se fala em aspectos como a religiosidade egípcia ou a engenhosidade das pirâmides ou ainda da peculiaridade da mumificação. Na verdade, este aspecto reune em si todas as características acima (religiosidade, engenhosidade e e peculiaridade), entre outras ainda.

É este costume que nos mostra os grandes conhecimentos dos egípcios antigos em áreas como a medicina, a anatomia, a química e a farmacologia, por exemplo. Conhecimentos acumulados ao longo do tempo, e cada vez mais aperfeiçoados, sem dúvida.

Para o cumprimento das crenças além-túmulo, os egípcios aproveitaram as propriedades que descobriram do natrão, elemento encontrado em várias regiões do Egito, que possui propriedades conservantes, ideais para preservar o corpo humano (o natrão é rico em carbonato de sódio, bicarbonato de sódio, sal e sulfato de sódio. Sabe o que isso significa? Nem eu, mas pode perguntar à professora de Química!).

Mas de nada adiantava o natrão se não fossem outros conhecimentos e descobertas do sábios egípcios.

Por exemplo, de nada adiantava embeber o corpo em natrão se ele estivesse com os intestinos, nada seguraria a decomposição. Os egípcios então retiravam os intestinos através de uma incisão em um dos lados do corpo, além de remover o cérebro, pelas narinas. Técnicas como estas permitiram, além da conservação dos corpos por milhares de anos, o desenvolvimento de técnicas cirúrgicas pelos egípcios. O ritual completo de mumificação durava 70 dias, e os corpos, muitos e muitos séculos. Algumas múmias encontradas no século XX, com mais de 2.500 anos de idade, possuíam ainda carne, cabelos e unhas!

(o "modelo" da foto que ilustra este post é Ramsés II, cuja múmia foi encontrada em 1881, em ótimo estado de conservação, dentro de seu sarcófago. De lá para cá o contato com ar, os traslados e manuseios para estudos e pesquisas aceleraram sua decomposição mais do que a passagem de mais de 3000 anos...).

terça-feira, 12 de julho de 2011

Novo país

Como os leitores do História em suas mãos, sempre atentos ao mundo, já sabem, desde o último sábado, dia 9, que o mundo tem mais um país. Trata-se do Sudão do Sul (meio repetitivo, não poderia ser apenas Suldão?!!!). O que muda na região? Provavelmente nada. Muda talvez, e bastante, para o povo da região, que decidiu em plebiscito pela criação do país.

Para entendermos: o Sudão é uma herança do antigo império britânico na África, e, como a maior parte dos impérios europeus no continente, reunia em uma mesma região pessoas/ grupos/ etnias/ religiões bastante diferentes. O imperialismo europeu na África nos séculos XIX e XX foi sempre decidido/ negociado olhando-se para o mapa do continente, não para seus povos. Resultado (para falar apenas no Sudão/ Sudão do Sul, mas a regra vale para a maior parte da África): o Sudão, saariano, tem maioria da população árabe muçulmana, enquanto que o sul (o agora novo país) é uma verdadeira babel de etnias, culturas, credos e línguas.

O sul sempre se julgou oprimido pelo norte, desde a independência do Sudão, em 1956, e a guerra civil que se arrasta na região há muitos anos já dizimou mais de 1,5 milhão de pessoas. Enfim, a independência até que demorou, e teve um preço alto... Resta agora vermos como o país se desenvolve, pois em se tratando de África, as coisas não são muito fáceis. O novo país até possui reservas de petróleo, mas a maior parte da infraestrutura de beneficiamento (refino) do mesmo fica no norte (ou seja, agora em outro país...). Enfim, que possa o "ouro negro" substiuir pacificamente todo o sangue que já se derramou na região, e possa este novo povo, tão acostumado ao sofrimento, almejar dias melhores!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

"Nova" tumba no Egito!

Claro, o título é uma ironia. O que é novo é a descoberta, pois a tumba já tem aproximadamente 5.000 anos!


Foi descoberta por arqueólogos nesta segunda-feira a tumba, que fica ao sul da necrópole dos construtores de pirâmides, no Cairo, Egito.
Segundo o secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, Zahi Hawass, seu desenho incomum a torna diferente de todas as outras já descobertas até hoje. É, também, a primeira encontrada na região.
De acordo com o site da TV FoxNews, acredita-se no Egito que a tumba possa fazer parte de uma grande e desconhecida necrópole em Giza, região onde ficam as três maiores e mais conhecidas pirâmides (Quéfren, Quéops e Miquerinos).
Os arqueólogos afirmam ainda que os desenhos encontrados no local indicam que na tumba possa ter sido sepultado Rudj-ka, o sacerdote que liderou o culto murtuário do faraó Quéfren.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Em tempos de Copa...

Em tempos de Copa do Mundo, jabulanis pra lá e vuvuzelas pra cá, é interessante juntar conteúdo ao evento. Ainda mais em se tratando de África. E de África do Sul, ainda por cima, país que protagonizou algumas das maiores injustiças da história.
O texto que reproduzo aqui é de autoria de Jurandir Soares, e foi veiculado no Correio do Povo do dia 13 de junho.


África do Sul: a festa e o apartheid

No momento em que a África do Sul concentra as atenções do mundo inteiro para a grande festa que é a Copa do Mundo de futebol, é sempre importante lembrar uma situação vivida por aquele país que, assim como o Holocausto, não se quer ver repetida em nenhuma parte do mundo. Falo do apartheid, o nefasto regime que separava brancos e negros. Fosse em campo de futebol, teatro, cinema ou mesmo numa praça, negros sentavam de um lado e brancos de outro. Os negros não tinham direito a voto e se quisessem se deslocar de um lugar para outro, dentro de seu próprio país, precisavam de uma autorização especial. E até dez bantustans - pequenos territórios - foram criados para que negros ali ficassem confinados, ficando todo o restante da rica área do país para os brancos. O apartheid impedia o acesso dos negros à propriedade da terra, à participação política e às profissões melhor remuneradas.

Tudo começou lá pelo século XVII, quando a terra dos zulus, zhosas e bosquímanos passou a ser colonizada por imigrantes holandeses, os bôeres, os quais passaram a considerar a região como sua pátria, tendo criado até um idioma próprio, o africâner. Este domínio foi quebrado pela chegada dos ingleses, em 1806. Eles tomaram a cidade do Cabo e fundaram duas repúblicas independentes, o Transvaal e Orange. Como decorrência, veio a Guerra dos Bôeres, travada de 1899 a 1902, resultando na vitória dos ingleses. Os estados bôeres foram anexados pela Coroa britânica e, em 1910, juntaram-se às colônias de Cabo e Natal para constituir a União Sul-Africana.

Depois disso, bôeres e ingleses passaram a cooperar uns com os outros para estabelecer a dominação sobre os negros, que constituíam a grande maioria da população. Esta política de segregação racial foi se implantando aos poucos e acabou por ser oficializada em 1948, com a implantação do apartheid. O responsável foi o Partido Nacional, que chegara ao poder e iria dominar a cena nacional por cerca de 40 anos.

A oposição ao regime começou na década de 50, com o lançamento de uma campanha de desobediência civil pelo Congresso Nacional Africano - CNA, organização liderada por Nelson Mandela. Este seria preso em 1962 e condenado à prisão perpétua e sua organização colocada na ilegalidade, depois de uma manifestação que ficou conhecida como o "Massacre de Sharpeville", quando 67 negros foram mortos. Dois fatores colaboraram para o enfraquecimento do apartheid: o término da colonização portuguesa na África, em 1975, e a queda do governo de minoria branca na Rodésia - atual Zimbábue - em 1980. Além das pressões internacionais, que deixavam, por exemplo, a África do Sul fora das competições esportivas. E as sanções econômicas internacionais, que levaram à crise da economia. Em 1989, assumiu o governo Frederick de Klerk, que no ano seguinte libertou Mandela e recuperou a legalidade do CNA. Em 1992, ele coordenou um plebiscito entre os brancos que levou ao fim do regime de segregação racial. O próprio Mandela viria a se tornar o primeiro negro a ser presidente do país. Graças a isso, hoje a África do Sul pode estar em festa.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Descoberta cabeça gigante do Faraó Amenófis III

O Ministério da Cultura egípcio anunciou neste domingo (28/02/2010) a descoberta de uma cabeça gigante do faraó Amenófis III, com cerca de 3.000 anos de idade. A cabeça é de granito vermelho, mede 2,5 metros de altura e foi encontrada no local de seu templo funerário em Luxor.

A peça é a cabeça de uma grande estátua que representava o faraó em pé, com os braços cruzados e com os símbolos reais nas mãos, conforme explicou Hurig Suruzian, chefe da missão arqueológica responsável pela descoberta.

Amenófis III governou entre 1390 e 1352 a.C., e é pai de Akenaton, o "faraó herético", que tentou impor o monoteísmo no Egito, com o culto exclusivo ao deus Aton.