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terça-feira, 7 de maio de 2013

Cortina de ferro

"From Stettin in the Baltic to Trieste in the Adriatic an IRON COURTIN (grifo meu) has descended across the Continent. Behind that line lie all the capitals of the ancient states of Central and Eastern Europe. Warsaw, Berlin, Prague, Vienna, Budapest, Belgrade, Bucharest and Sofia; all these famous cities and the populations around them lie in what I must call the Soviet sphere, and all are subject, in one form or another, not only to Soviet influence but to a very high and in some cases increasing measure of control from Moscow." (Winston Churchill, em pronunciamento no Westimnster College, em Missouri, em 05 de março de 1946)

Claro que todos entenderam, mas nunca é demais lembrar, pois com este discruso, Churchill
começava a botar fogo na Guerra Fria. Dizia ele que uma cortina de ferro descera sobre a Europa com o fim da Segunda Guerra Mundial. Sua ideia era enfatizar a influência soviética sobre o leste europeu - o que, claro, seria perigoso aos interesses capitalistas no novo cenário do pós-guerra.
Analisando-se o mapa da época ficava claro perceber tal divisão: a leste da 'cortina de ferro' então alardeada pelo Primeiro-Ministro inglês estavam os países socialistas ou sob influência soviética (ou seja, uma área bem considerável na nova geopolítica mundial). A oeste, os países do bloco capitalista como a Inglaterra de Churchill.

A expressão 'cortina de ferro' já havia sido utilizada por ele antes, em maio de 1945 (antes, portanto do final da Segunda Guerra). Em 1946, com o afastamento entre EUA e URSS, a expressão passa a adquirir outro significado, outro grau de importância, dando a dimensão de tal distanciamento e de sua abrangência. Era a Guerra Fria que iniciava...

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Guerra Fria animada (e outras guerras também!)

Aí está o vídeo que assistimos (301) hoje em aula. Trata-se de uma interessante animação russa sobre a Guerra Fria. Se olharmos bem, porém, veremos que ela explica a maioria das guerras já ocorridas nos úlitmos milênios: começo, desenrolar e consequências. Então assiste aí e responde:


Que indícios temos de que este vídeo trata da Guerra Fria? Há pelo menos um bem forte, que só e percebido se lembrarmos da geopolítica do período. Vê se percebe, e responde!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Aproveitando a deixa...

Ainda aproveitando a deixa da Campanha da Legalidade, vamos lembrar/ conhecer um pouco do homem cuja renúncia provocou todo o burburinho que por um lado levou os militares a 'se coçarem' por um golpe e, por outro lado, da parte dos que desejavam o respeito à lei, levou à Legalidade. Ou seja, vamos conhecer um pouquinho de Jânio Quadros.

Foi, em primeiro lugar, um homem de ascensão política meteórica: foi vereador por São Paulo entre 1948 e 1950; lançou-se candidato a deputado estadual por SP e foi eleito como o mais votado, exercendo mandato entre 1951 e 1953. Neste ano elegeu-se prefeito de São Paulo, cargo que exerceu até 1955. Foi então eleito governador do estado, ocupando tal posição entre 1955 e 1959. Em janeiro de 1961, finalmente, já estava assumindo a presidência da República (depois, em 1985 ainda seria novamente eleito prefeito de São Paulo). Ou seja, em apenas 13 anos chegou ao mais alto cargo Executivo da política brasileira.

Podemos afirmar que ele trabalhou para tanto: costumava assinar seu nome em qualquer manifesto, abaixo-assinado ou assemelhado que fosse reivindicação popular; apresentou número recorde em projetos de lei, enquanto vereador e deputado, por causas populares e/ ou trabalhistas, etc.

Por outro lado, não podemos esquecer de outros traços seus, mais pitorescos e que tornaram-se sem dúvida nenhuma, marcas registradas dele, como um estilo todo pessoal de chamar e atrair a atenção do povo, beirando o folclórico. Foram comuns em suas aparições públicas cenas como desmaios; tomar injeções em pleno palanque, durante comícios, quando aproveitava também para tirar um sanduíche de mortadela do bolso e ingerir com apetite copioso em frente ao povo; apresentava-se normalmente em trajes escuros, que reluzissem simuladas caspas pelos ombros; entre outras 'manias', digamos assim!
Aliás, quanto às leis e decretos criados, convém também lembrar alguns, nesta mesma linha: proibiu a realização de provas de turfe em dias úteis, o que fez também com as rinhas de briga de galo. Mais: proibiu os desfiles de misses com biquínis cavados e o uso de lança-perfume no carnaval, além de disciplinar o funcionamento dos jogos de cartas nos clubes...

Enfim, convém lembrar também algumas declarações de Jânio:
  • "Bebo-o porque é líquido; se fosse sólido, comê-lo-ia." (provavelmente um dos últimos a usar a mesóclise!)
  • "Intimidade gera aborrecimentos ou filhos. Como não quero aborrecimentos com a senhora, e muito menos filhos, trate-me por senhor." (quando foi chamado de 'você' por uma jornalista)
  • "Desinfeto porque nádegas indevidas se sentaram nela." (em 1985, aós limpara a cadeira em que Fernando Henrique havia sentado)
  • "Mentira! O som não se propaga no vácuo!" (durante um debate para eleição à presidência, enquanto aplicava um sermão em um candidato e este lhe disse: 'pode falar; suas palavras me entram por um ouvido e saem pelo outro!')
Enfim, figuraça como poucas!
Quanto à renúncia, ele mesmo confessou, no início dos anos 90, que esperava causar uma comoção popular, já que o seu vice reunia alto grau de rejeição, acusado de um esquerdismo perigoso para vários setores, em plena guerra fria. Com a comoção que se seguiria à sua renúncia, Jânio esperava conseguir governar, o que já não conseguia mais após alguns meses. Esperava que um pedido de volta do Congresso lhe desse poderes sobre o mesmo. Porém, nenhuma das duas coisas aconteceu: nem a comoção popular, nem a súplica do Congresso.
Sua saída foi tão tragicomica quanto seu estilo...

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Legalidade


Muito tem se falado (felizmente!!!!) sobre a Legalidade nestes útlimos dias. A mídia gosta muito de números redondos; cada vez que algo completa 10, 50 ou 100 anos por exemplo, vira o assunto do dia. Bom por todos os materiais que gera, pena que nos outros anos a mesma data passa apagada na mídia, sendo lembrada apenas pelos professores de História...
Mas vamos lá: querendo ou não a renúncia de Jânio Quadros e a consequente campanha da Legalidade estão completando 50 anos, com uma intensa programação, composta por muitas mesas redondas, palestras e debates por aí (que acaba-se perdendo por que a maioria é em horário de trabalho), além da exposição no Gasômetro. Há também a série que passou na TVCom, que vários alunos lembraram e acompanharam, há as muitas colunas do Juremir Machado da Silva no Correio do Povo e há ESTE MATERIAL AQUI, feliz indicação da @Dessaveznao. E há também este blog, que vale conferir.

É para ver com calma e com tempo, o evento e a data merecem.
Em poucas palavras, para quem está vendo tudo na mídia e não está entendendo muito bem, vamos lá: Em 25 de agosto de 1961 o presidente Jânio Quadros apresenta uma carta-renúncia à presidência, após sete conturbados meses de governo. Muito se especula a respeito de tal atitude, já é sabido (admitido por ele anos depois) que ele esperava voltar nos braços do povo e do Congresso, uma vez que a antipatia das elites nacionais e estrangeiras e da maioria do Congresso e dos meios de comunicação em relação ao vice-presidente, João Goulart, era nítida. Aliás, no momento da renúncia do presidente, Jango encontrava-se em viagem à China socialista, o que para muitos confirmava o temor em relação a ele, vinculando-o perigosamente à indeologias de esquerda, o que, em tempos de guerra fria, poderia ser fatal a qualquer pretensão política em um país latinoamericano (isso tudo sete anos após o suicídio de Vargas e somente dois após a Revolução Cubana). O fato é que, com todo este contexto a caserna começa a se organizar: começa a se ensaiar o golpe militar que se desenhava em 1954 e foi malogrado pelo suicídio de Vargas. Impedido novamente pela Rede da Legalidade, viria acontecer três anos depois, em 1964, em cima do mesmo João Goulart. A ação enérgica e decidida do governador gaúcho Leonel Brizola, comandando transmissões radiofônicas através da Rádio Guaíba, com fuzil INA em punho, foi fundamental para garantir a posse do cunhado João Goulart e adiar os planos infames de golpe militar. Jango conseguiu assumir, mas com poderes limitados por um improvisado regime parlamentarista, meio termo arranjado para a posse.


Tempos de intensa atividade e busca de justiça, em contraste com esta inércia e passividade que enervam nos dias de hoje... Esta data tem mais motivo para ser feriado em nosso estado do que o 20 de setembro...
Enfim, o resto vai explorando no site e no blog indicados, nos jornais, nas aulas e por aqui mesmo. Bom proveito!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Não poderia passar em branco!


O tempo não está permitindo, pois como os leitores sabem, estamos em pleno final de trimestre. 18 turmas, em torno de 600 alunos, todas as séries, a carga de trabalho se acumula. Vai-se até a madrugada e não acaba nunca o serviço. Por isso o blog está em ritmo lento, um post ou dois no máximo por semana.
O dia de hoje, porém, não poderia passar em branco.
No "mês do cachorro louco" o dia 24 irá marcar para sempre o suicídio do presidente que mais tempo esteve no poder em nosso país, Getúlio Vargas.


Para ler um pouquinho mais sobre isso, clique AQUI.
Para ler mais sobre ele, digite na caixa de busca ao lado ("Pesquisar este blog") a palavra Vargas. Vários links serão abertos. Lê e conhece um pouco mais sobre esta figura emblemática em nossa história.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O Brasil entre duas ditaduras

Eis o ppt da aula de hoje. Trata do período entre a ditadura varguista do Estado Novo e a militar. Cronologicamente, abrange o período entre 1945 e 1964, período em que externamente a Guerra Fria "fervia"! O que explica muitos dos acontecimentos e desdobramentos da nossa política interna - e externa.
Enfim, aproveita aí!

terça-feira, 14 de junho de 2011

La mano de Dios?

Identidade é coisa séria. Autoestima também. E ninguém pode acusar os hermanos argentinos de terem baixa autoestima. Por uma série de razões, mas o post de hoje trata do final da Guerra das Malvinas, há exatos 29 anos.

As Ilhas Malvinas compõem-se de duas ilhas maiores e outras menores, localizadas no extremo sul da América do Sul, bem próximo da Argentina. Já no final do século XVII foram motivo de disputa entre Reino Unido, França e Espanha, mas o primeiro ocupa-as desde 1833. Porém, como pelo Tratado de Tordesilhas, tais ilhas localizavam-se na parte espanhola, a Argentina reclama-se herdeira delas.

Pois eis que em 1982 os hermanos resolvem entrar em guerra contra a Inglaterra pela posse das ilhas. Um verdadeiro ato de bravura. Ou perda de noção, segundo algumas opiniões. Em 2 de abril de 1982 começa a guerrra, que acabará sendo resolvida em pouco mais de dois meses: em 14 de junho ocorre a rendição argentina, após vários combates localizados e até a visita do Papa João Paulo II a Buenos Aires para clamar pela paz.

O resultado do conflito:
  • 649 mortos argentinos X 258 britânicos
  • mais de 1000 feridos e de 11.000 prisioneiros argentinos X 777 feridos e 115 prisioneiros britânicos
  • grande lista de perdas materiais
  • claro, com a vitória britânica, as ilhas (que eles chamam de Falklands) continuam sob seu domínio
E o principal - e que justifica o título do post: a imagem do governo argentino, que fica ainda pior.
Clareando: a Argentina passava por uma ditadura militar, presidida, no momento do conflito, pelo General Galtieri. Como é comum nas ditaduras militares latino-americanas de então, procurava-se exacerbar o sentimento nacionalista no povo, dando mais credibilidade/ aceitação/ legitimidade à ditadura. Esperava-se que uma vitória proporcionaria tudo isso, amenizando as crescentes tensões sociais. Como não veio a tão esperada (pelo menos pelos militares) vitória, acirrou-se ainda mais a crise política no país (a situação econômica já era frágil). Eis que a grande cartada, então, transformou-se em uma grande gol contra. Talvez já tenha sido la mano de Dios!!!!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Longa noite de trevas

Hoje completam-se 47 anos do infame golpe militar concluído em 1° de abril de 1964 em nosso país, às custas do então legalmente Presidente João Goulart. A data (1° de abril) já não era muito favorável e positiva para marcar um golpe, então ficou mesmo registrada a data de 31 de março.
O pretexto para o golpe era o de livrar o Brasil da ameaça vermelha (comunista). Bastante plausível, se lembrarmos que eram tempos de Guerra Fria. Mais ainda que faziam apenas 5 anos que um grupo de então jovens revolucionários tomavam o poder em Cuba, perigosamente próximo ao bastião econômico ocidental, os EUA. Plausível, não justificável.
Em nome da parceria com os EUA (ou total submissão), o Exército brasileiro (que em tese deveria defender o pavo brasileiro) foi responsável pela morte de mais de 200 pessoas (o governo havia reconhecido 245 até fevereiro de 1997) e 152 desaparecidos, cerca de 2.000 torturados e 130 exílios forçados, entre tantas outras arbitrariedades (os números estão em Operación Condor, de Luiz Cezar Mariano - Argentina, Ed. Lohlé-Lumen, 1998). Houve mesmo uma escola de tortura em nosso país, pelo refinamento (e sadismo) das práticas nefastas para se obter confissões. Isto para não falar na censura da mídia (comum a qualquer ditadura, de esquerda ou direita), bem como o terrorismo cultural, representado pelo confisco e queima de livros 'proibidos' pelos militares (sim, você já viu isto antes!) e pelos incontáveis vetos a músicas (e músicos), filmes, peças de teatro, revistas, etc. Dentro deste mesmo aspecto da censura, devemos lembrar dos professores (normalmente de ciências humanas) que, mesmo consursados e estáveis, perderam o emprego, graças a denúncias anônimas de alunos ou mesmo - prática que se tornou comum - de soldados que passaram a ser matriculados em cursos considerados suspeitos, para obterem informações mais palpáveis a respeito da ação e do discurso de determinados professores. Materiais didáticos e salas de professores também passaram por rigorosos pentes-finos da canalha de farda.
Enfim, até onde iria esta postagem se fôssemos enumerar todas as arbitrariedades da infame ditadura militar brasileira de 1964-1985?
Agora, o mais incrível é que ainda há gente, infelizmente, que acha que a ditadura foi boa, e que sente saudade dos militares...
Mais um indicativo de que a educação em nosso país não anda bem. O melhor remédio contra a falta de memória ou a ignorância é sem dúvida o estudo. estudemos mais, para que tais infâmias não caiam no esquecimento...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A morte de Che


Lendas não morrem, se eternizam. Neste mesmo 8 de outubro, em 1967, Ernesto "Che" Guevara era assassinado na Bolívia. A história do jovem médico argentino que anda pela pobreza da América Latina, alimentando o sonho de mudar a realidade do subcontinente (mais tarde irá até a África) é bastante conhecida. O ideal revolucionário (não se acomodou com o companheiro Fidel após o sucesso da Revolução Cubana) esteve sempre vivo na mente combativa e atuante do rapaz. Eram, porém, tempos difíceis (Guerra Fria) para certas utopias e seu projetos não encontraram o eco desejado.
Os meios empregados talvez tenham também contribuído para isso. Sonhou com um mundo melhor, lutou por ele, mas ao mesmo tempo, foi corresponsável por algumas dezenas de execuções de opositores... "Era necessário" (?)
Bom, se pensarmos bem, tal método também foi empregado (e muito) pela direita, pelos militares nos quatro cantos da mesma América que Che sonhou mudar. E ninguém os idolatra por isso (felizmente...) - a não ser, talvez, em sujos porões de quartéis...
Eis, enfim, para pensar e conhecer um pouco mais do personagem de hoje, algumas de suas ideias:

"Sonha e serás livre de espírito... luta e serás livre na vida."

"Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros."

"Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição."

"O conhecimento nos faz responsáveis."

"Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera."

"Os grandes só parecem grandes porque estamos ajoelhados."

"A farda modela o corpo e atrofia a mente."


Pensamentos como esses dizem muito...

Uma ótima dica para este fim de semana (feriadão) é assistir "Diários de Motocicleta" que narra as andanças (e muito do aprendizado) do Che ainda jovem pela América. Bom filme!

sábado, 3 de julho de 2010

Crise dos Mísseis


O ano é 1962. A foto é de um navio soviético carregado de mísseis deixando a costa cubana, iniciando o caminho de volta à URSS. Nunca o mundo estivera tão próximo do início de uma guerra nuclear. Depois que a CIA descobriu, através de fotos aéreas, a instalação secreta de mísseis soviéticos em Cuba, apontados para os EUA, o presidente norte-americano John Kennedy decretou, em outubro, o bloqueio naval da ilha. O clima era dos mais tensos, já que, um ano antes, a CIA havia tentado derrubar o governo de Fidel Castro na frustrada invasão da Baía dos Porcos, para a qual havia treinado e utilizado exilados cubanos.
Para muitos, o episódio dos mísseis soviéticos em Cuba representa o ponto mais crítico da Guerra Fria, e, não fosse o recuo do líder soviético Nikita Kruschev, o mundo teria chegado bem próximo de um grau de destruição que daria razão ao gênio Albert Einstein, que largou a seguinte pérola, anos antes deste episódio, ao ser perguntado por um repórter sobre quais seriam as armas de uma terceira guerra mundial:

"Da terceira eu não sei, mas na quarta seriam paus e pedras."
(como se vê, não é só de Física que ele entendia!!)

Finalmente, vai aí uma dica para o fim de semana (já que estamos guardando as vuvuzelas mesmo...
A dica é assistir "13 dias que abalaram o mundo", um ótimo que filme que mostra este acontecimento acima descrito, desde a descoberta da instalação dos mísseis até sua retirada pela URSS. Claro, não vá correndo à locadora procurá-lo esperando grandes doses de ação, pois não aconteceu ação na realidade - não houve a guerra. O filme mostra todo o jogo de xadrez em que se transformaram as negociações entre Kennedy e Kruschev, a diplomacia, os blefes, os meandros do poder, a tensão, etc. Vale mesmo a pena assistir.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Em tempos de Copa...

Em tempos de Copa do Mundo, jabulanis pra lá e vuvuzelas pra cá, é interessante juntar conteúdo ao evento. Ainda mais em se tratando de África. E de África do Sul, ainda por cima, país que protagonizou algumas das maiores injustiças da história.
O texto que reproduzo aqui é de autoria de Jurandir Soares, e foi veiculado no Correio do Povo do dia 13 de junho.


África do Sul: a festa e o apartheid

No momento em que a África do Sul concentra as atenções do mundo inteiro para a grande festa que é a Copa do Mundo de futebol, é sempre importante lembrar uma situação vivida por aquele país que, assim como o Holocausto, não se quer ver repetida em nenhuma parte do mundo. Falo do apartheid, o nefasto regime que separava brancos e negros. Fosse em campo de futebol, teatro, cinema ou mesmo numa praça, negros sentavam de um lado e brancos de outro. Os negros não tinham direito a voto e se quisessem se deslocar de um lugar para outro, dentro de seu próprio país, precisavam de uma autorização especial. E até dez bantustans - pequenos territórios - foram criados para que negros ali ficassem confinados, ficando todo o restante da rica área do país para os brancos. O apartheid impedia o acesso dos negros à propriedade da terra, à participação política e às profissões melhor remuneradas.

Tudo começou lá pelo século XVII, quando a terra dos zulus, zhosas e bosquímanos passou a ser colonizada por imigrantes holandeses, os bôeres, os quais passaram a considerar a região como sua pátria, tendo criado até um idioma próprio, o africâner. Este domínio foi quebrado pela chegada dos ingleses, em 1806. Eles tomaram a cidade do Cabo e fundaram duas repúblicas independentes, o Transvaal e Orange. Como decorrência, veio a Guerra dos Bôeres, travada de 1899 a 1902, resultando na vitória dos ingleses. Os estados bôeres foram anexados pela Coroa britânica e, em 1910, juntaram-se às colônias de Cabo e Natal para constituir a União Sul-Africana.

Depois disso, bôeres e ingleses passaram a cooperar uns com os outros para estabelecer a dominação sobre os negros, que constituíam a grande maioria da população. Esta política de segregação racial foi se implantando aos poucos e acabou por ser oficializada em 1948, com a implantação do apartheid. O responsável foi o Partido Nacional, que chegara ao poder e iria dominar a cena nacional por cerca de 40 anos.

A oposição ao regime começou na década de 50, com o lançamento de uma campanha de desobediência civil pelo Congresso Nacional Africano - CNA, organização liderada por Nelson Mandela. Este seria preso em 1962 e condenado à prisão perpétua e sua organização colocada na ilegalidade, depois de uma manifestação que ficou conhecida como o "Massacre de Sharpeville", quando 67 negros foram mortos. Dois fatores colaboraram para o enfraquecimento do apartheid: o término da colonização portuguesa na África, em 1975, e a queda do governo de minoria branca na Rodésia - atual Zimbábue - em 1980. Além das pressões internacionais, que deixavam, por exemplo, a África do Sul fora das competições esportivas. E as sanções econômicas internacionais, que levaram à crise da economia. Em 1989, assumiu o governo Frederick de Klerk, que no ano seguinte libertou Mandela e recuperou a legalidade do CNA. Em 1992, ele coordenou um plebiscito entre os brancos que levou ao fim do regime de segregação racial. O próprio Mandela viria a se tornar o primeiro negro a ser presidente do país. Graças a isso, hoje a África do Sul pode estar em festa.