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terça-feira, 5 de março de 2013

Chávez

O dia de hoje, 05 de março de 2013, marca a história da América pela morte de Hugo Chávez, figura altamente controversa na história mundial recente. Caricaturizado ao extremo por seus adversários e amado com a mesma força pelos partidários, era homem, sem dúvida, de opiniões, atitudes e discursos fortes, intensos. Sobretudo quando se tratava de falar dos Estados Unidos...

Defensor ferrenho do bolivarianismo, a ideia de uma América Latina unida e forte, como maneira de resistir ao imperialismo norteamericano, tinha sempre a figura do herói do século XIX por trás de si em seus pronunciamentos. Ideias e prática sem dúvida coerentes; o problema eram seus métodos. Querendo ou não, foi como ditador que se perpetuou no poder na Venezuela. Querendo ou não, fez muito do que criticou nos governos militares da América Latina dos tempos da Guerra Fria... Como, porém, concretizar seus sonhos, "seu" projeto, de uma América Latina unida e forte? Pela educação e pela consciência crítica dos latinoamericanos seria o melhor meio, sem dúvida. Mas será isso possível um dia? Quando???


O fato é que foi sucumbiu a um inimigo grandioso e tão minúsculo ao mesmo tempo...Após ter passado pela quarta cirurgia contra um câncer, não conseguiu escapar de uma grave infecção respiratória.

Quanto à Venezuela, provavelmente tenha uma nova eleição dentro de algumas semanas, visto que não chegou a assumir o mandato que teria iniciado neste janeiro. O que será que teremos pela frente na Venezuela? E você, acha que a morte de Chávez será mais sentida ou mais comemorada por aí? Clica aí embaixo, nos comentários, e te manifesta!

Aqui uma boa cobertura da vida e da morte de Chávez!

terça-feira, 14 de junho de 2011

La mano de Dios?

Identidade é coisa séria. Autoestima também. E ninguém pode acusar os hermanos argentinos de terem baixa autoestima. Por uma série de razões, mas o post de hoje trata do final da Guerra das Malvinas, há exatos 29 anos.

As Ilhas Malvinas compõem-se de duas ilhas maiores e outras menores, localizadas no extremo sul da América do Sul, bem próximo da Argentina. Já no final do século XVII foram motivo de disputa entre Reino Unido, França e Espanha, mas o primeiro ocupa-as desde 1833. Porém, como pelo Tratado de Tordesilhas, tais ilhas localizavam-se na parte espanhola, a Argentina reclama-se herdeira delas.

Pois eis que em 1982 os hermanos resolvem entrar em guerra contra a Inglaterra pela posse das ilhas. Um verdadeiro ato de bravura. Ou perda de noção, segundo algumas opiniões. Em 2 de abril de 1982 começa a guerrra, que acabará sendo resolvida em pouco mais de dois meses: em 14 de junho ocorre a rendição argentina, após vários combates localizados e até a visita do Papa João Paulo II a Buenos Aires para clamar pela paz.

O resultado do conflito:
  • 649 mortos argentinos X 258 britânicos
  • mais de 1000 feridos e de 11.000 prisioneiros argentinos X 777 feridos e 115 prisioneiros britânicos
  • grande lista de perdas materiais
  • claro, com a vitória britânica, as ilhas (que eles chamam de Falklands) continuam sob seu domínio
E o principal - e que justifica o título do post: a imagem do governo argentino, que fica ainda pior.
Clareando: a Argentina passava por uma ditadura militar, presidida, no momento do conflito, pelo General Galtieri. Como é comum nas ditaduras militares latino-americanas de então, procurava-se exacerbar o sentimento nacionalista no povo, dando mais credibilidade/ aceitação/ legitimidade à ditadura. Esperava-se que uma vitória proporcionaria tudo isso, amenizando as crescentes tensões sociais. Como não veio a tão esperada (pelo menos pelos militares) vitória, acirrou-se ainda mais a crise política no país (a situação econômica já era frágil). Eis que a grande cartada, então, transformou-se em uma grande gol contra. Talvez já tenha sido la mano de Dios!!!!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Ah, los hermanos...

Mais um general-ditador foi condenado à prisão perpétua na Argentina, por crimes cometidos contra a humanidade. Trata-se do general Reynaldo Bignone, último ditador do país, entre 1982-1983.
No ano passado Bignone já havia sido condenado a 25 anos de prisão por crimes, envolvendo, além de tortura, a privação ilegal de liberdade. Ele ainda está sendo julgado pelo desaparecimento de dezenas de bebês e crianças. A maior parte dos crimes da ditadura argentina foi cometida no Campo de Mayo, que continha quatro centros de tortura e uma maternidade clandestina para as presas políticas, que, após darem à luz, tinham seus filhos desaparecidos, muitos deles entregues à famílias colaboradoras do regime.
Mais dados: desde 2005 (data da anulação das leis de anistia na Argentina) mais de 200 chefes militares já foram condenados e em torno de 800 estão com processo de julgamento em andamento, todos por crimes cometidos durante a vigência da ditadura no país.
Apenas para lembrar: entre mortos e desaparecidos, a ditadura argentina fez mais de 30.000 vítimas no país, além do roubo de 500 crianças.
Ainda bem que los hermanos começam a fazer justiça, a mostrar que crimes (cometidos por pessoas fardadas ou não) não podem ficar impunes. O problema é se os generais daquele país resolverem fugir e se instalar em um país que ingora, tem memória curta e nada faz a respeito de criminosos fardados... O que será de nós, que já temos os nossos?

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Longa noite de trevas

Hoje completam-se 47 anos do infame golpe militar concluído em 1° de abril de 1964 em nosso país, às custas do então legalmente Presidente João Goulart. A data (1° de abril) já não era muito favorável e positiva para marcar um golpe, então ficou mesmo registrada a data de 31 de março.
O pretexto para o golpe era o de livrar o Brasil da ameaça vermelha (comunista). Bastante plausível, se lembrarmos que eram tempos de Guerra Fria. Mais ainda que faziam apenas 5 anos que um grupo de então jovens revolucionários tomavam o poder em Cuba, perigosamente próximo ao bastião econômico ocidental, os EUA. Plausível, não justificável.
Em nome da parceria com os EUA (ou total submissão), o Exército brasileiro (que em tese deveria defender o pavo brasileiro) foi responsável pela morte de mais de 200 pessoas (o governo havia reconhecido 245 até fevereiro de 1997) e 152 desaparecidos, cerca de 2.000 torturados e 130 exílios forçados, entre tantas outras arbitrariedades (os números estão em Operación Condor, de Luiz Cezar Mariano - Argentina, Ed. Lohlé-Lumen, 1998). Houve mesmo uma escola de tortura em nosso país, pelo refinamento (e sadismo) das práticas nefastas para se obter confissões. Isto para não falar na censura da mídia (comum a qualquer ditadura, de esquerda ou direita), bem como o terrorismo cultural, representado pelo confisco e queima de livros 'proibidos' pelos militares (sim, você já viu isto antes!) e pelos incontáveis vetos a músicas (e músicos), filmes, peças de teatro, revistas, etc. Dentro deste mesmo aspecto da censura, devemos lembrar dos professores (normalmente de ciências humanas) que, mesmo consursados e estáveis, perderam o emprego, graças a denúncias anônimas de alunos ou mesmo - prática que se tornou comum - de soldados que passaram a ser matriculados em cursos considerados suspeitos, para obterem informações mais palpáveis a respeito da ação e do discurso de determinados professores. Materiais didáticos e salas de professores também passaram por rigorosos pentes-finos da canalha de farda.
Enfim, até onde iria esta postagem se fôssemos enumerar todas as arbitrariedades da infame ditadura militar brasileira de 1964-1985?
Agora, o mais incrível é que ainda há gente, infelizmente, que acha que a ditadura foi boa, e que sente saudade dos militares...
Mais um indicativo de que a educação em nosso país não anda bem. O melhor remédio contra a falta de memória ou a ignorância é sem dúvida o estudo. estudemos mais, para que tais infâmias não caiam no esquecimento...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A morte de Che


Lendas não morrem, se eternizam. Neste mesmo 8 de outubro, em 1967, Ernesto "Che" Guevara era assassinado na Bolívia. A história do jovem médico argentino que anda pela pobreza da América Latina, alimentando o sonho de mudar a realidade do subcontinente (mais tarde irá até a África) é bastante conhecida. O ideal revolucionário (não se acomodou com o companheiro Fidel após o sucesso da Revolução Cubana) esteve sempre vivo na mente combativa e atuante do rapaz. Eram, porém, tempos difíceis (Guerra Fria) para certas utopias e seu projetos não encontraram o eco desejado.
Os meios empregados talvez tenham também contribuído para isso. Sonhou com um mundo melhor, lutou por ele, mas ao mesmo tempo, foi corresponsável por algumas dezenas de execuções de opositores... "Era necessário" (?)
Bom, se pensarmos bem, tal método também foi empregado (e muito) pela direita, pelos militares nos quatro cantos da mesma América que Che sonhou mudar. E ninguém os idolatra por isso (felizmente...) - a não ser, talvez, em sujos porões de quartéis...
Eis, enfim, para pensar e conhecer um pouco mais do personagem de hoje, algumas de suas ideias:

"Sonha e serás livre de espírito... luta e serás livre na vida."

"Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros."

"Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição."

"O conhecimento nos faz responsáveis."

"Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera."

"Os grandes só parecem grandes porque estamos ajoelhados."

"A farda modela o corpo e atrofia a mente."


Pensamentos como esses dizem muito...

Uma ótima dica para este fim de semana (feriadão) é assistir "Diários de Motocicleta" que narra as andanças (e muito do aprendizado) do Che ainda jovem pela América. Bom filme!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Venezuela X Colômbia

Mais uma do amigo do Quico - o Hugo Chávez não para...
Agora ele decidiu exumar os restos mortais do heroi venezuelano Simón Bolívar. A exumação foi realizada na sexta-feira, dia 16, e o presidente veneuelano afirmou ter ficado profundamente emocionado ao ver os restos mortais do líder maior do país. O presidente, que sempre que pode, faz seus pronunciamentos e concede entrevistas tendo a imagem do líder do século XIX ao fundo, como na foto ao lado, agora defende a tese de que o herói foi assassinado. A versão oficial diz que ele teria morrido vítima de tuberculose em 1830. Há, porém, quem afirme que ele teria sido vítima de envenenamento por arsênio misturado na água ou em alimentos que o líder teria ingerido. Chávez, porém, foi mais além: afirma que Bolívar foi assassinado por um general colombiano, como fruto de uma conspiração.
A importância histórica de Simón Bolívar para a América Latina é indiscutível, uma vez que ele foi responsável pela independência política de vários territórios da então América Hispânica, ainda no início do século XIX. A preocupação em se aprofundar os conhecimentos históricos também é fundamental; assim se desenvolve esta disciplina.

MAS
há que se ter cuidado com as motivações por trás dos atos. Descobrir o que de fato aconteceu, para recontar a História é interessante e útil para todos. Mas esta não parece ser a motivação do Chávez. O fato acontece justamente no momento em que o governo colombiano de Álvaro Uribe acusou a Venezuela de proteger e dar guarida a membros das FARC. Chávez solicitou a viagem de seu embaixador em Bogotá diretamente para Caracas para consultas. O ministro da defesa colombiano, por sua vez, anunciou a imediata constituição de mais uma base militar junto à fronteira venezuelana.
Como se vê, o ambiente na região está se tornando cada vez mais tenso.
Agora, só falta mesmo o Chávez querer iniciar um ataque à Colômbia usando como pretexto o assassinato de Bolívar, há quase 200 ANOS ATRÁS...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Ótimo texto!

O texto que indico hoje é bem curto, mas diz muito.
Foi publicado no Correio do Povo, dia 30 de maio, com autoria do ótimo Jurandir Soares.
Trata sobre os 200 anos da Argentina, e fornece, mesmo em apenas 4 parágrafos, um interessante painel da Argentina (e mesmo da América Latina) hoje e até no século XX.
Enfim, eis o link, lê e confere!